A Associação Automóvel de Portugal (ACAP) reagiu aos mais recentes dados sobre a evolução do mercado automóvel nacional, na RTP, SIC e TVI, que apontam para um crescimento das matrículas nos primeiros quatro meses de 2026, destacando, simultaneamente, os desafios que persistem no horizonte do sector.
Entre Janeiro e Abril foram matriculadas 98.722 viaturas novas, um valor que representa um máximo das últimas duas décadas, superando ligeiramente o anterior pico registado em 2018. A maioria destas viaturas corresponde a modelos electrificados, enquanto as energias alternativas atingem já um peso global de 73,7% do mercado.
Perante este cenário, a ACAP sublinha que estes indicadores confirmam a trajectória de transformação do sector automóvel em Portugal, marcada por uma crescente adesão às novas tecnologias de propulsão e por uma maior consciencialização ambiental por parte dos consumidores, tendência que a Associação tem vindo a assinalar.
Ainda assim, a Associação alerta que estes resultados positivos não reflectem, para já, o impacto de factores externos relevantes, nomeadamente a instabilidade geopolítica e o aumento dos preços dos combustíveis. Em particular, o conflito no Irão é identificado como um elemento de incerteza que poderá influenciar negativamente o comportamento do mercado nos próximos meses.
A este contexto, junta-se o anúncio de novas tarifas sobre automóveis importados da União Europeia, avançado pelo Presidente norte-americano Donald Trump. A ACAP considera que esta medida, que prevê um agravamento para 25%, constitui um factor adicional de pressão sobre a indústria automóvel europeia, num momento em que o sector procura consolidar a recuperação.
Apesar do crescimento global do mercado, superior a 10% face ao período homólogo, a ACAP sublinha que subsistem incertezas quanto à evolução da economia, fortemente condicionada por factores internacionais, como tensões comerciais e decisões de política económica de grandes blocos.
No que respeita à estrutura do mercado, a ACAP evidencia o peso significativo das empresas na aquisição de viaturas, bem como o reforço do canal rent-a-car, impulsionado pelo dinamismo do turismo e pela necessidade de renovação de frotas.
Neste enquadramento, a Associação defende a necessidade de maior estabilidade nas políticas económicas e comerciais internacionais, alertando que decisões como o agravamento de tarifas poderão ter efeitos indirectos na competitividade da indústria europeia e, por arrastamento, no mercado nacional. A este nível, a ACAP sublinha igualmente a urgência de uma revisão estrutural da fiscalidade automóvel em Portugal, considerando que o actual modelo se encontra desajustado e incompleto face à reforma iniciada em 2007, que previa o desaparecimento progressivo do Imposto Sobre Veículos (ISV). A manutenção de uma componente assente na cilindrada é, segundo a Associação, um anacronismo, sobretudo num contexto de transição para a electrificação.
A ACAP defende, por isso, que o Orçamento do Estado para 2027 deve contemplar uma profunda revisão fiscal, garantindo maior equidade face a outros mercados europeus, como o espanhol, onde a carga fiscal sobre a aquisição de veículos é significativamente inferior. Paralelamente, considera essencial o desagravamento das taxas de tributação autónoma, em linha com o Acordo de Rendimentos, bem como a implementação de um verdadeiro programa de incentivo ao abate de veículos em fim de vida, medida considerada determinante para a renovação do parque automóvel.
Esta posição foi partilhada em vários meios de comunicação social e plataformas digitais, nomeadamente em peças transmitidas pela TVI, RTP 1, SIC, ECO e Expresso onde a ACAP reiterou uma visão simultaneamente optimista, mas prudente, quanto à evolução do sector automóvel em 2026.