A electrificação do mercado automóvel português continua a ganhar expressão, mas a renovação efectiva do parque circulante permanece como um dos principais desafios do sector.
Em declarações ao Jornal de Leiria, Helder Pedro, Secretário-Geral da ACAP, destacou que três em cada quatro veículos ligeiros vendidos em Portugal no primeiro trimestre de 2026 foram movidos a energias alternativas. No mesmo período, os veículos electrificados representaram 74,3% das matrículas, incluindo 23,6% de eléctricos puros e várias categorias de híbridos.
Apesar desta evolução, a ACAP alerta que a transição energética não pode ser analisada apenas através da quota de veículos electrificados. A realidade do parque automóvel nacional revela uma idade média elevada: nos ligeiros de passageiros, a idade média situa-se nos 14,3 anos, num universo de cerca de 6,2 milhões de veículos.
Os dados mostram ainda que cerca de 1,8 milhões ligeiros de passageiros têm mais de 20 anos, representando 28,3% do total. A estes juntam-se mais de 1,1 milhões de veículos entre os 15 e os 20 anos, o que significa que uma parte muito significativa do parque automóvel português continua envelhecida, com impactos ao nível ambiental, da segurança rodoviária e da eficiência energética.
Para a ACAP, a prioridade deve passar por políticas públicas que promovam a renovação do parque automóvel, através de medidas fiscais adequadas, incentivos ao abate de veículos em fim de vida e uma abordagem tecnologicamente neutra, que permita acelerar a substituição dos veículos mais antigos por soluções mais eficientes e menos poluentes.
Helder Pedro sublinha que “a electrificação do mercado é real”, mas alerta que a transição tem ainda “condições, custos e riscos” por resolver, nomeadamente ao nível da fiscalidade, do preço de aquisição dos veículos, da rede de carregamento e da estabilidade regulatória. A ACAP tem vindo igualmente a defender uma reforma estrutural do Imposto Sobre Veículos, considerando que a manutenção de uma componente baseada na cilindrada está desajustada da evolução tecnológica e ambiental do sector. A Associação defende ainda o desagravamento da tributação autónoma e o reforço dos incentivos à renovação do parque circulante.